HISTÓRIA DO TEATRO

Publicado: 5 de novembro de 2006 em O TEATRO
H I S T Ó R I A    D O     T E A T R O

 

COMO SURGIU O TEATRO?

O teatro originou-se no momento em que um ser humano imitou outro. Na história, esse é um momento difícil de precisar. De maneira geral, o ser humano não aprende a andar, falar, comportar-se imitando Outros seres?

Se o teatro é a arte de imitar, podemos concluir que é praticamente impossível saber em que momento e onde ele surgiu, pois sua história se confunde com a história da humanidade.

Desde as sociedades primitivas, até mesmo pré-históricas, os homens realizavam rituais e práticas religiosas que continham elementos teatrais: representação, dança e música. Como a maioria dos povos primitivos não tinha escrita, sabemos poucos detalhes sobre essas formas embrionárias de teatro.

As informações escritas mais completas e detalhadas que chegaram até nós referem-se às encenações teatrais da Grécia antiga. Na Grécia, as primeiras manifestações teatrais mais parecidas com o nosso teatro atual datam do século VII a.C. O deus do vinho na mitologia grega era Dionísio (chamado de Baco pelos romanos) e os gregos organizavam rituais religiosos para honrar esse deus.

Esses rituais eram comandados por um coro cujos componentes usavam máscara representando animais, declamavam, cantavam e dançavam. Ainda não havia atores, como hoje. Com a importância desses rituais na vida dos gregos, foi criado um local especial para sua realização.

Edificação em encosta escavada, coberta por fileiras de arquibancadas semicirculares voltadas para um espaço circular no qual ficava o altar e se apresentava o coro. Esse local recebeu o nome de teatro, termo que com o tempo acabou designando as representações que aí ocorriam.

Segundo a mitologia, Dionísio foi quem ensinou aos homens o cultivo da vinha. Logo depois, um bode derrubou as parreiras e foi castigado com a morte. Os homens arrancaram a pele do animal e sobre ela começaram a cantar e beber até caírem desmaiados. Os mais fortes, que conseguiram dançar e cantar até o raiar do dia, foram premiados com a carne do bode e a sua pele embebida em vinho. Nos rituais do deus Dionísio, procurava-se reproduzir o mito.

O coro, cantando em procissão, dirigia-se ao local do culto. No altar, o sacerdote preparava a cerimônia: um bode era oferecido em sacrifício. Conta-se que certa vez, no século VI a. C., um integrante do coro, de nome Téspis fortemente imbuído do espírito do ritual, saiu do coro e afirmou ser Dionísio. Estava criada a função de ator.

DRAMA

Nessa época, surge o texto dramático, isto é, o texto criado para teatro (a palavra drama, em grego, significa ação). TRAGÉDIAS Inicialmente, surgem as tragédias (a palavra tragédia, em grego, relaciona-se a bode, animal sacrificado no ritual). No primeiro cortejo em homenagem a Dionísio, eram entoados cantos com partes alegres e tristes, que narravam os aspectos mais felizes e os mais dolorosos de sua vida. Com o tempo, esse canto originou a tragédia.


COMÉDIAS

Quase um século depois são criadas as comédias (o termo surge da fusão entre as palavras comos, que significa desfile, cortejo, e ode, que significa canto). Durante as festas de Dionísio, eram realizados desfiles ao som de hinos. Aos hinos, acrescentavam-se zombarias dirigidas aos espectadores. Assim, esse elemento do ritual deu origem à representação alegre e zombeteira que caracteriza a comédia.

Nas tragédias e comédias gregas havia o coro e os atores. O coro representava a sociedade e dialogava com os atores. Os atores, sempre homens, usavam máscaras de rostos humanos e rico figurino.

A máscara era conhecida pelo nome de persona (em latim, sona deriva do verbo soar e per significa através de; persona é a voz que soa através da máscara). Com o tempo, as máscaras se tornaram o símbolo das representações teatrais: a máscara triste representa a tragédia.

Observe os cartazes de peças teatrais, seções sobre teatro em jornais e revistas: freqüentemente aí aparecem essas máscaras, para que haja associação imediata entre o conteúdo da informação e o teatro.

O primeiro grande escritor de tragédias de quem se conservam textos é Ésquilo (525 a. C. – 456 a. C.), autor de Prometeu Acorrentado, entre outras peças. Dois Outros principais dramaturgos da época são Sófocles (496 a.C. – 406 a. C.), que escreveu Édipo Rei entre outras obras primas e Eurípides (484 a.C. – 406 a.C.), autor de Medéia e Electra entre Outros. Essas antigas tragédias gregas, encenadas até hoje, foram a base do teatro ocidental. Eram produções que se assemelhavam mais a uma ópera do que a um drama dos tempos atuais.

As mais antigas comédias que nos sobraram são de Aristófanes (445 a.C. – 386 a.C.). Um pouco depois surge a comédia de costumes, criada a partir de fatos do cotidiano. O principal autor desse gênero é Menandro (342 a.C. – 292 a.C.). HISTÓRIA DO TEATRO BRASILEIRO O teatro brasileiro surgiu quando Portugal começou a fazer do Brasil sua colônia (Século XVI).

TEATRO x ÍNDIOS

Os Jesuítas, com o intuito de catequizar os índios, trouxeram não só a nova religião – católica -, mas também uma cultura diferente, em que se incluía a literatura e o teatro. Aliada aos rituais festivos e danças indígenas, a primeira forma de teatro que os brasileiros conheceram foi a dos portugueses, que tinha um caráter pedagógico baseado na Bíblia.

Nessa época, o maior responsável pelo ensinamento do teatro, bem como pela autoria das peças, foi Padre Anchieta. O teatro realmente nacional só veio se estabilizar em meados do século XIX, quando o Romantismo teve seu início.

Martins Pena foi um dos responsáveis por isso, através de suas comédias de costumes. Outros nomes de destaque da época foram: o dramaturgo Artur Azevedo, o ator e empresário teatral João Caetano e, na literatura, o escritor Machado de Assis. TEATRO DOS JESUÍTAS – SÉCULO XVI.

Nos primeiros anos da colonização, os padres da chamada Companhia de Jesus (Jesuítas), que vieram para o Brasil, tinham como principal objetivo a catequese dos índios. Eles encontraram nas tribos brasileiras uma inclinação natural para a música, a dança e a oratória. Ou seja: tendências positivas para o desenvolvimento do teatro, que passou a ser usado como instrumento de "civilização" e de educação religiosa, além de diversão. O teatro, pelo "fascínio" da Imagem representativa, era muito mais eficaz do que um sermão, por exemplo.

As primeiras peças foram, então, escritas pelos Jesuítas, que se utilizavam de elementos da cultura indígena (a começar pelo caráter de "sagrado" que o índio já tinha absorvido em sua cultura), até porque era preciso "tocar" o índio, falando de coisas que ele conhecia.

Misturados a esses elementos, estavam os dogmas da Igreja Católica, para que o objetivo da Companhia – a catequese – não se perdesse. As peças eram escritas em tupi, português ou espanhol (isso se deu até 1584, quando então "chegou" o latim). Nelas, os personagens eram santos, demônios,imperadores e, por vezes, representavam apenas simbolismos, como o Amor ou o Temor a Deus.

Com a catequese, o teatro acabou se tornando matéria obrigatória para os estudantes da área de Humanas, nos colégios da Companhia de Jesus. No entanto, os personagens femininos eram proibidos (com exceção das Santas), para se evitar uma certa "empolgação" nos jovens.

Os atores, nessa época, eram os índios domesticados, os futuros padres, os brancos e os mamelucos. Todos amadores, que atuavam de improviso nas peças apresentadas nas Igrejas, nas praças e nos colégios. No que diz respeito aos autores, o nome de mais destaque da época é o de Padre Anchieta. É dele a autoria de Auto de Pregação Universal, escrito entre 1567 e 1570, e representado em diversos locais do Brasil, por vários anos.

Outro auto de Anchieta é Na festa de São Lourenço, também conhecido como Mistério de Jesus. Os autos sacramentais, que continham caráter dramático, eram preferidos às comédias e tragédias, porque eram neles que estavam impregnadas as características da catequese. Eles tinham sempre um fundo religioso, moral e didático e eram repletos de personagens alegóricos. Além dos autos, Outros "estilos teatrais" introduzidos pelos Jesuítas foram: o presépio, que passou a ser incorporado nas festas folclóricas, e os pastoris.

Nesta época, todas as peças apresentadas tinham o caráter de catequese do Teatro Jesuítico. Segundo J. Galante de Sousa, em seu livro "O Teatro no Brasil" (Rio de Janeiro, 1960, 1º volume), "… o Teatro Jesuítico foi, na realidade, um teatro de oratória; procurou comover para convencer; tentou convencer para educar". Aqui estão algumas delas:

Diálogo, 1573, Olinda e na Bahia;
Égloga Pastoril, 1574 e 1576, Olinda;
História do Rico Avarento e Lázaro Pobre, 1575, Olinda;.
Auto, 1578, Pernambuco;
Auto do Crisma, 1578, Rio de Janeiro;
Tragicomédia, 1581, Bahia;
Auto Pastoril, 1583, Aldeia do Espírito Santo;
Diálogo Pastoril, 1584, Aldeia do Espírito Santo;
Diálogo, 1584, Pernambuco;
Auto das Onze Mil Virgens, 1583 e 1584, Bahia;
Diálogo da Ave-Maria, 1584, Capitania do Espírito Santo;
Auto de São Sebastião, 1585, Rio de Janeiro;
Auto de São Lourenço, 1586, Niterói (Aldeia de São Lourenço). Também conhecido como Na festa de São Lourenço ou Mistério de Jesus;
Auto da Vila da Vitória, 1586, Espírito Santo. Também conhecido como Auto de São Maurício;
Diálogo de Guaraparim, 1587, aldeia da Capitania do Espírito Santo;
História de Assuero, 1589, Bahia.

SÉCULO XVII

No século XVII, as representações de peças escritas pelos Jesuítas – pelo menos aquelas com a clara finalidade de catequese – começaram a ficar cada vez mais escassas. Este período, em que a obra missionária já estava praticamente consolidada, é inclusive chamado de Declínio do Teatro dos Jesuítas. No entanto, Outros tipos de atividades teatrais também eram escassos, por conta deste século constituir um tempo de crise.

As encenações existiam, fossem elas prejudicadas ou inspiradas pelas lutas da época (como por exemplo, as lutas contra os holandeses). Mas dependiam de ocasiões como festas religiosas ou cívicas para que fossem realizadas. Das peças encenadas na época, podemos destacar as comédias apresentadas nos eventos de aclamação a D. João IV, em 1641, e as encenações promovidas pelos franciscanos do Convento de Santo Antônio, no Rio de Janeiro, com a finalidade de distrair a comunidade.

Também se realizaram representações teatrais por conta das festas de instalação da província franciscana da Imaculada Conceição, em 1678, no Rio. O que podemos notar neste século é a repercussão do teatro espanhol em nosso país, e a existência de um nome – ligado ao teatro – de destaque: Manuel Botelho de Oliveira (Bahia, 1636-1711). Ele foi o primeiro poeta brasileiro a ter suas obras publicadas, tendo escrito duas comédias em espanhol (Hay amigo para amigo e Amor, Engaños y Celos).

Aqui estão algumas das peças representadas no século XVII:
Drama, 1620, Bahia;
Diálogo, 1626, Maranhão, e 1688, Bahia;
Comédia, 1641 no Rio de Janeiro, no mesmo ano em Recife, onde foi apresentada em francês, e depois em 1677, no Maranhão (constituiu parte dos eventos comemorativos da aclamação a D.João IV);
Auto de São Francisco Xavier, 1668, Maranhão.

SÉCULO XVIII – TEATRO REGULAR

Foi somente na segunda metade do século XVIII que as peças teatrais passaram a ser apresentadas com uma certa freqüência. Palcos (tablados) montados em praças públicas eram os locais das representações. Assim como as igrejas e, por vezes, o palácio de um ou outro governante.

Nessa época, era forte a característica educacional do teatro. E uma atividade tão instrutiva acabou por merecer ser presenteada com locais fixos para as peças: as chamadas Casas da Ópera ou Casas da Comédia, que começaram a se espalhar pelo país. Em seguida à fixação dos locais "de teatro", e em conseqüência disso, surgiram as primeiras companhias teatrais.
Os atores eram contratados para fazer um determinado número de apresentações nas Casas da Ópera, durante todo o ano, ou apenas por alguns meses. Sendo assim, com os locais e elencos fixos, a atividade teatral do século XVIII começou a ser mais contínua do que em épocas anteriores.

No século XVIII e início do XIX, os atores eram pessoas das classes mais baixas, em sua maioria mulatos. Havia um preconceito contra a atividade, chegando inclusive a ser proibida a participação de mulheres nos elencos. Dessa forma, eram os próprios homens que representavam os papéis femininos, passando a ser chamados de "travestis".

Mesmo quando a presença de atrizes já havia sido "liberada", a má fama da classe de artistas, bem como a reclusão das mulheres na sociedade da época, as afastava dos palcos. Quanto ao repertório, destaca-se a grande influência estrangeira no teatro brasileiro dessa época. Dentre os nomes mais citados estavam os de Molière, Voltaire, Maffei, Goldoni e Metastásio.

Apesar da maior influência estrangeira, alguns nomes nacionais também merecem ser lembrados. São eles: Luís Alves Pinto, que escreveu a comédia em verso Amor Mal Correspondido, Alexandre de Gusmão, que traduziu a comédia francesa O Marido Confundido, Cláudio Manuel da Costa, que escreveu O Parnaso Obsequioso e Outros poemas representados em todo o país, e Inácio José de Alvarenga Peixoto, autor do drama Enéias no Lácio.

SÉCULO XIX – (1808 a 1838)

A Transição para o Teatro Nacional A vinda da família real para o Brasil, em 1808, trouxe uma série de melhorias para o Brasil. Uma delas foi direcionada ao teatro. D. João VI, no decreto de 28 de maio de 1810, reconhecia a necessidade da construção de "teatros decentes".

Na verdade, o decreto representou um estímulo para a inauguração de vários teatros. As companhias teatrais, por vezes de canto ou dança (bailado), passaram a tomar conta dos teatros, trazendo com elas um público cada vez maior. A primeira delas, realmente brasileira, estreou em 1833, em Niterói, dirigida por João Caetano, com o drama O Príncipe Amante da Liberdade ou A Independência da Escócia. Uma conseqüência da estabilidade que iam ganhando as companhias dramáticas foi o crescimento, paralelo, do amadorismo.

A agitação que antecipou a Independência do Brasil foi refletida no teatro. As platéias eram muito agressivas, aproveitavam as encenações para promover manifestações, com direito a gritos que exaltavam a República. No entanto, toda esta "bagunça" representou uma preparação do espírito das pessoas, e também do teatro, para a existência de uma nação livre.

Eram os primórdios da fundação do teatro – e de uma vida – realmente nacional. Até porque, em conseqüência do nacionalismo exacerbado do público, os atores estrangeiros começaram a ser substituídos por nacionais. Ao contrário desse quadro, o respeito tomava conta do público quando D.Pedro estava presente no teatro (fato que acontecia em épocas e lugares que viviam condições "normais", isto é, onde e quando não havia este tipo de manifestação).

Nestas ocasiões, era mais interessante se admirar os espectadores – principalmente as senhoras ricamente vestidas – do que os atores. Além do luxo, podia se notar o preconceito contra os negros, que não compareciam aos teatros. Já os atores eram quase todos mulatos, mas cobriam os rostos com maquiagem branca e vermelha.

SÉCULO XIX – (1838 A 1855) – ÉPOCA ROMÂNTICA

Desde a Independência, em 1822, um exacerbado sentimento nacionalista tomou conta das nossas manifestações culturais. Este espírito nacionalista também atingiu o teatro. No entanto, a literatura dramática brasileira ainda era incipiente e dependia de iniciativas isoladas.

Muitas peças, a partir de 1838, foram influenciadas pelo Romantismo, movimento literário em voga na época. O romancista Joaquim Manuel de Macedo destacou alguns mitos do nascente sentimento de nacionalidade da época: o mito da grandeza territorial do Brasil, da opulência da natureza do país, da igualdade de todos os brasileiros, da hospitalidade do povo, entre Outros.

Estes mitos nortearam, em grande parte, os artistas românticos desse período. A tragédia Antônio José ou O poeta e a inquisição escrita por Gonçalves de Magalhães (1811-1882) e levada à cena por João Caetano (1808-1863), a 13 de março de 1838, no teatro Constitucional Fluminense, foi o primeiro passo para a implantação de um teatro considerado brasileiro. No mesmo ano, a 4 de outubro, foi representada pela primeira vez a comédia O juiz de paz da roça, de Martins Pena (1815-1848), também no teatro Constitucional Fluminense pela mesma companhia de João Caetano.

A peça foi o pontapé inicial para a consolidação da comédia de costumes como gênero preferido do público. As peças de Martins Pena estavam integradas ao Romantismo, portanto, eram bem recebidas pelo público, cansado do formalismo clássico anterior. O autor é considerado o verdadeiro fundador do teatro nacional, pela quantidade – em quase dez anos, escreveu 28 peças – e qualidade de sua produção. Sua obra, pela grande popularidade que atingiu, foi muito importante para a consolidação do teatro no Brasil.

SÉCULO XIX – SEGUNDA METADE DO SÉCULO – ÉPOCA REALISTA

O Realismo na dramaturgia nacional pode ser subdividido em dois períodos: o primeiro, de 1855 – quando o empresário Joaquim Heliodoro monta sua companhia – até 1884 com a representação de O mandarim, de Artur Azevedo, que consolida o gênero revista e os dramas de casaca.

O segundo período vai de 1884 aos primeiros anos do século XX, quando a opereta e a revista são os gêneros preferidos do público. Essa primeira fase não se completa em um teatro naturalista. À exceção de uma ou outra tentativa, a literatura dramática não acompanhou o naturalismo por conta da preferência do público pelo "vaudeville", a revista e a paródia.

A renovação do teatro brasileiro, com a consolidação da comédia como genêro preferido do público, iniciou-se quando Joaquim Heliodoro Gomes dos Santos montou seu teatro, o Ginásio Dramático, em 1855. Esse novo espaço tinha como ensaiador e diretor de cena o francês Emílio Doux que trouxe as peças mais modernas da França da época.

O realismo importado da França introduziu a temática social, ou seja, as questões sociais mais relevantes do momento eram discutidas nos dramas de casaca. Era o teatro da tese social e da análise psicológica. Nome de grande importância para o teatro dessa fase é o do dramaturgo Artur Azevedo (1855-1908). Segundo J. Galante de Souza ( O Teatro no Brasil, vol.1), Artur Azevedo "foi mais aplaudido nas suas bambochatas, nas suas revistas, escritas sem preocupação artística, do que quando escreveu teatro sério.

O seu talento era o da improvisação, fácil, natural, mas sem fôlego para composições que exigissem amadurecimento, e para empreendimentos artísticos de larga envergadura".

ORIGEM DO TEATRO

É comum ouvirmos dizer que o teatro começou na Grécia, há muitos séculos atrás. No entanto, existem Outros exemplos de manifestações teatrais anteriores aos gregos. Por exemplo, na China antiga, o budismo usava o teatro como forma de expressão religiosa. No Egito, um grande espetáculo popular contava a história da ressurreição de Osíris e da morte de Hórus. Na Índia, se acredita que o teatro tenha surgido com Brama. E nos tempos pré-helênicos, os cretenses homenageavam seus deuses em teatros, provavelmente construídos no século dezenove antes de Cristo.

É fácil perceber através destes poucos exemplos, uma origem religiosa para as manifestações teatrais. No entanto, podemos olhar ainda mais para trás quando lembramos que o teatro é a imitação de uma ação e que o ato de imitar está presente na essência dos mais primitivos rituais que conhecemos.

É através da imitação que a criança se desenvolve aprendendo a falar e a agir. Comparando este homem primitivo com uma criança, podemos observar que ambos são completamente ignorantes em relação ao universo que os cerca. E muito provavelmente, este homem, ansioso por encontrar respostas para as suas perguntas, tenha começado a construir um acervo de mitologias, religiões e rituais, numa tentativa de explicação do mundo, dos fenômenos naturais, da vida, do nascimento, da morte.

Na história do pensamento humano o mito surge como uma tentativa de explicação, compreensão e controle do mundo. É através do mito que o homem primitivo tenta compreender os fenômenos da natureza, atribuindo-lhes uma origem divina.

A palavra mitologia está ligada a um conjunto de narrativas da vida, das aventuras, viagens, afetos e desafetos dos mitos, dos deuses, dos heróis. Existem diversas mitologias: cristã, egípcia, hindu, grega etc. A palavra religião, do verbo latino religare (ato de ligar) pode ser definida como o conjunto de atitudes pelos quais o homem se liga ao divino. Através da realização dos ritos/rituais o homem relembra os mitos.

Por exemplo: no ritual da missa cristã, uma série de procedimentos relembram a vida, morte e ressurreição de seu principal mito, Jesus Cristo. O famoso antropólogo Malinowski propõe que "o mito não é uma explicação destinada a satisfazer uma curiosidade científica, mas uma narrativa que faz reviver uma realidade arcaica, que satisfaz a profundas necessidades religiosas, aspirações morais, a pressões e imperativos de ordem social e mesmo a exigências práticas.

Nas civilizações primitivas, o mito desempenha uma função indispensável: ele exprime, exalta e codifica a crença; protege e impõe os princípios morais; garante a eficácia do ritual e oferece regras práticas para a orientação do homem. O mito é um ingrediente vital da civilização humana; ele é uma realidade viva, à qual se recorre incessantemente; não é, absolutamente, uma teoria abstrata ou uma fantasia artística, mas uma verdadeira codificação da religião primitiva e da sabedoria popular".

MAS E O TEATRO?

A origem do teatro ocidental está ligada aos mitos gregos arcaicos e à religião grega. A mitologia grega é formada por numerosos deuses imortais e antropomórficos, isto é, que têm a forma e o temperamento humano; os deuses antropomorfizados amam, odeiam, perseguem, discutem, sentem ciúme, são vingativos, traem, mentem como as pessoas comuns. Existem várias gerações e famílias divinas na mitologia grega.

 

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